Quem detém os direitos de imagem gerados por IA?

25 jun 2025

Pela primeira vez, uma imagem criada com a ajuda de inteligência artificial teve seus direitos autorais reconhecidos oficialmente. A decisão, tomada nos Estados Unidos em 2025, é um marco para a Propriedade Intelectual e acendeu ainda mais o debate global sobre o tema.

Mas, afinal, imagem gerada por IA pode ter direitos autorais? E como essa questão é tratada no Brasil e em outros países?

Como os EUA reconheceram o direito autoral de uma imagem criada por IA?

A mudança veio com uma decisão histórica do United States Copyright Office (USCO), o escritório de direitos autorais dos EUA. O órgão concedeu registro autoral à obra “A Single Piece of American Cheese”, criada por Kent Keirsey, CEO da plataforma Invoke.

O detalhe que fez toda a diferença foi o nível de intervenção humana no processo. Em vez de apenas dar comandos simples para a IA, Keirsey conduziu a criação de forma ativa, indicando as etapas, corrigindo os detalhes e editando a imagem cerca de 35 vezes até chegar ao resultado final. Todo esse processo foi registrado e documentado.

Ou seja, nos EUA, uma imagem gerada por IA pode ter direitos autorais se houver uma participação humana substancial no desenvolvimento da obra. Se o processo é totalmente automático, apenas com comandos genéricos, o pedido de registro de direito autoral não é aceito.

Esse novo entendimento reforça a ideia de que o que é protegido não é a atuação da máquina em si, mas a criatividade e esforço intelectual do ser humano durante o processo.

Onde estamos nessa história?

Aqui, a realidade é um pouco diferente, pelo menos por enquanto.

O Brasil ainda não reconhece direitos autorais para obras geradas por Inteligência Artificial. A nossa principal referência continua sendo a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98), que protege apenas criações resultantes da atividade intelectual humana.

Mesmo com o avanço da regulamentação da IA, como o Projeto de Lei nº 2.338/2023, aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e atualmente em análise na Câmara dos Deputados, ainda não há dispositivos tratando da autoria de obras feitas com IA.

O foco desse Projeto de Lei é estabelecer diretrizes para o uso ético e seguro da inteligência artificial, além de proteger conteúdos já existentes que são usados para treinar essas tecnologias. Ou seja, a discussão sobre a autoria de uma imagem criada por IA ainda está pendente.

Em resumo, no Brasil, para que uma obra tenha direitos autorais, ela precisa ser resultado direto do intelecto humano, o que ainda exclui criações puramente automatizadas.

Já na Europa, a regulamentação também não resolve a questão.
O famoso AI Act foca em controlar o uso ético da tecnologia, não em determinar quem é o “dono” de criações feitas com IA.

No Reino Unido, artistas como Paul McCartney e Elton John levantaram a voz contra o uso de obras protegidas para treinar sistemas de IA, mas a legislação sobre autoria permanece ambígua.

Assim como no Brasil, o continente europeu ainda caminha para amadurecer esse debate.

A inteligência artificial está reescrevendo as regras da criação

É provável que vejamos, nos próximos anos, legislações adaptando conceitos antigos para abrigar as novas realidades da criação digital.

A velocidade da evolução da IA ultrapassou o ritmo das legislações, e cada país busca encontrar seu próprio caminho para equilibrar inovação tecnológica, proteção à Propriedade Intelectual e respeito aos direitos dos criadores humanos.

Quem utiliza IA como ferramenta de criação deve ficar atento ao nível de intervenção humana envolvida no processo. A tendência é que, tanto no Brasil quanto em outros países, o reconhecimento de direitos autorais dependa cada vez mais da comprovação de uma participação ativa e criativa do ser humano na geração da obra.

E se o Brasil ainda está em processo de adaptação, a decisão dos EUA pode servir como um precedente importante para inspirar outras nações a criar legislações mais modernas e específicas para as criações com Inteligência Artificial.

Precisa proteger sua criação?

Se você desenvolve projetos com apoio de IA ou tem dúvidas sobre a proteção de suas obras, é fundamental contar com quem entende do assunto.

Aqui na P.A. Produtores Associados Marcas e Patentes, acompanhamos de perto as mudanças no cenário da Propriedade Intelectual e estamos prontos para te orientar da melhor forma.

Quer saber como proteger seus direitos autorais, registrar sua criação ou entender melhor as novas possibilidades no mundo da Inteligência Artificial? Fale com a nossa equipe!

Coca-Cola e o Processo de Plágio

Coca-Cola e o Processo de Plágio

Quando pensamos em marcas mundialmente reconhecidas, uma das primeiras que vem à mente é a Coca-Cola. Sinônimo de sucesso, inovação e poder de mercado, a marca, no entanto, também já se envolveu em um polêmico caso jurídico sobre plágio. Isso aconteceu em 2014, quando a Coca-Cola enfrentou um processo contra uma marca brasileira que lançou um produto muito similar ao seu, gerando uma disputa judicial que culminou em uma derrota para a gigante do refrigerante.